Entre montinhos de areia
e a face austera do monte
há, por construção, a ação ingênua da mão pequenina.
Há a ação gigantesca das carícias do vento
e a lapidação caprichosa das águas,
que reduzem o vale à fraqueza lateral.
A construção orgânica de si, porém,
é de crescer por grãos até monte,
e lavar os pés com as águas que nos desfiam.
É nos cobrir de verde para a diversidade de mundo.
É sentir gradientes de belezas e sensações.
É sentir também frágil às mãos covardes
e se despir à vulnerabilidade.
Se sujar, se manchar, se machucar.
Ser irreversível.
Ser pó, que se perde no vento
e desafia a incoerência das águas.
Mas capaz de reviver,
se recuperar, restaurar, se manter firme e imponente.
E se equilibrar no mais dinâmico dos movimentos
de matéria e de energia,
sob a diversidade do momento.
(por: Paulo Lima)
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